Obesidade e Auto-estima
Publicado em Abr 09, 2007


A obesidade é considerada hoje uma doença crônica, uma epidemia, sendo já considerada pela OMS como a doença do século XXI, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas outras doenças e causa a morte precoce. “Sabemos que os transtornos emocionais são inimigos na luta contra o excesso de peso. Muita gente acaba descontando todos os problemas na comida, o que leva ao aumento de peso, ansiedade e perda da auto-estima. Como se não bastassem também os inúmeros danos ao corpo, a obesidade causa uma brutal redução na auto-estima e na qualidade de vida”, afirma a endocrinologista e psicanalista Soraya Hissa de Carvalho.  

Com a auto-estima abalada, existem duas tendências sociais angustiantes para pessoas acima do peso ideal; uma é a grosseira e desumana discriminação estética e a outra é encarar o obeso como uma pessoa que não tem força de vontade e que ele é assim por que é preguiçoso. Algumas vezes, isto gera preconceito em relação à pessoa obesa, dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para encontrar emprego e até mesmo quadros psiquiátricos conseqüentes desta marginalização. Segundo Soraya, auto-estima significa acreditar e gostar de si mesmo sem restrições. “Conhecer as próprias qualidades e defeitos, acreditar e confiar em si e achar-se merecedor das coisas boas”, explica a psicanalista.

No caso da obesidade é preciso reconhecer essa situação com honestidade, olhar-se no espelho e assumer-se. De acordo com a psicanalista, quando reconhecemos a realidade temos as opções de mudá-la ou não. “Nós não somos motivados a mudar aquilo cuja realidade negamos. Se olharmos no espelho e acharmos que estamos bem, ignorarmos nosso sobrepeso, não teremos motivação para mudar. Isto é um bloqueio que vai se fortalecendo cada vez mais. Quando aceitamos que estamos realmente fora do peso então podemos promover a mudança mais rápida”, argumenta a psicanalista.

Para a endocrinologista, nossa cultura altamente consumista tem por hábito a ingestão excessiva de alimentos supérfluos, como doces, salgadinhos, e guloseimas. Inclusive no relacionamento social, agraciamos nossas visitas, amigos, clientes ou grupos culturais com jantares, lanches, happy hour, cafezinho, bolo. “Além da nossa cultura que alimenta essa tendência, o mundo moderno traz obesidade, ou seja, quanto mais as cidades se urbanizam e a tecnologia se expande, mais aumenta a prevalência da obesidade”, alerta Soraya

Soraya explica que nesses casos deve-se tratar completamente o paciente, tanto o quadro clínico como o psíquico. “Com um obeso, por exemplo, devemos cuidar do excesso de peso e o quadro depressivo, para que se conscientize e consiga iniciar uma dieta e recuperar a auto-estima. Do contrário, não conseguirá vencer. É essencial mostrar para a pessoa outras formas de prazer, de se sentir bem, ter auto-estima para lidar com a nova fase de emagrecimento”, exemplifica ela. 

A médica dá outras dicas: Praticar exercícios físicos, que ajudam a melhorar os sintomas da depressão, principalmente os treinos aeróbicos, como caminhada, corrida e natação. “A atividade física faz bem pra saúde, eleva a liberação de endorfina, substância que promove o bem-estar”, orienta Soraya. Mudanças na alimentação também são importantes, segundo ela. “O corpo é uma máquina, pqra funcionar direito precisa de combustível. Com alimentos adequados o organismo reage melhor. A educação alimentar é pra vida toda”, finaliza a médica.  

Fonte para entrevistas: Médica e Psicanalista Soraya Hissa de Carvalho.